Psicoterapia: Infantil / Adolescentes

Um processo de psicoterapia infantil passa a fazer parte diretamente do desenvolvimento da criança e impactará de maneira muito positiva para resto da vida.

Entenda um pouco o desenvolvimento psíquico da criança acontece no texto abaixo dividido em duas etapas e bem resumido para um primeiro contato com assunto.

A primeira etapa inicia-se no período da gestação (intra-útero) e pode ser vista como finalizada por volta dos 2 anos e meio, período durante o qual o bebê capta e registra o que os pais, ou as pessoas mais próximas, sentem por ele e em relação à existência dele.

Normalmente a mãe ou quem faz o papel de principal cuidador transmite afetos e o bebê capta e registra em suas sensações estes afetos que chamaremos de climas afetivos.

Mas o que são estes climas afetivos e por que são tão importantes?

Clima afetivo tudo o que o bebê sente e registra de forma visceral, e que poderá facilitar ou inibir seu desenvolvimento psíquico, parte integrante da genética humana. Um bebê não diferencia se o que esta recebendo (temperatura, leite, afetos…) é bom ou mau, e nem se é dele ou do outro, então é como se tudo fosse ele.

O bebê que se sente cuidado, protegido e há continência emocional por parte de seu principal cuidador, pode-se dizer que terá estes climas em sua identidade de base e conseqüentemente seu desenvolvimento já facilitado.

Mas se, por algum motivo o cuidador estiver sofrendo, por exemplo, com ansiedade, medo e mesmo sem intenção ele trata o bebê com certa hostilidade e até o abandona emocionalmente, este bebê captará e deixará tais registros em suas sensações viscerais e estes climas também farão parte de sua identidade de base.

No futuro, tais climas que foram transmitidos ou provocados não serão lembrados via memória, mas poderão ser acessados e sentidos psiquicamente… Como por exemplo, um sentimento de abandono ou o famoso “vazio”… “Algo deveria acontecer, mas não aconteceu”… E para muitos adultos, tal sensação de falta faz parte da vida.

É muito, importante esclarecer que os climas afetivos citados fazem parte de vários contextos e da história de cada núcleo familiar. Normalmente, os pais fazem o que podem para garantir uma boa criação de seus filhos, mas nem sempre o que para os pais é bom, para o filho é bom também. O importante é como o filho se sente diante de tudo lhe é transmitido, como afetos, ensinamentos e etc.

A segunda etapa do desenvolvimento psíquico da criança inicia-se por volta dos 3 anos e é finalizada na adolescência. Agora, além dos climas captados (que facilitam ou inibem o desenvolvimento), os registros virão também com as experiências, nos aprendizados, nos relacionamentos, no “jeitão” da família e etc.

Dos 3 aos 6 anos mais ou menos, a criança está com “fome” de vivências, querendo tudo ao mesmo tempo e sem compreender de fato os “porquês” das coisas… O “freio interno” não tem força, por isso que as crianças demoram pra entender o significado do “não pode!”… O preponderante nesta fase é a intuição, então a criança sente e percebe tudo do ambiente em que está inserida, mas tem muito pouco entendimento. Esta é a fase também que, inconscientemente, ela copia e internaliza o jeito de ser daqueles que ela admira ou não, ou seja, mesmo não desejando ser igual aquela referência, traços dela serão internalizados ou incorporados.

Resumindo, através dos climas afetivos registrados, modelos incorporados dos pais, familiares, empregados, escola, amiguinhos, religião, entre outros, a criança começa a desenvolver sua personalidade ou identidade e entender quem ela é, além de aprender as regras de convívio, já mostrando seus gostos e opiniões próprias.

A partir dos 7 anos até os 10 anos mais ou menos, a criança passa a ser mais dedutiva , agora já tem aprendizados e conceitos próprios que podem ser relacionados às situações, que já fazem mais sentido para ela.

Para a sessão de terapia com esta idade algumas crianças já trazem situações importantes que vivem em casa, na escola e com os amigos.

 

A importância do Brincar com o psicoterapeuta:

Tecnicamente falando os conflitos infantis são projetados no “brincar”. È brincando que a criança contracena nos pápeis de “gente grande”, gente que ela gosta ou não. Nas diversas brincadeiras é promovida a elaboração de conflitos que desde bem cedo acercam a criança.

Seus climas afetivos, modelos internalizados e desejos são naturalmente dramatizados nas histórias dos personagens criados espontaneamente, na família da boneca e na escola imaginária “um monte de coisas podem”… As regras e limites já fazem parte da vida e nos jogos elas também podem ser elaboradas. No ambiente lúdico as situações de conflitos e emoções se evidenciam, ficando passivas de serem abordadas e tratadas.

A psicoterapia infantil promove na criança consciência de si mesma e mudanças estruturais de sua identidade, além dos climas facilitadores promovidos pelo trabalho que inclusive já facilitam sua entrada na adolescência.

 

A importância da Família no processo psicoterapêutico:

Mãe, pai e cuidador

Nós, Psicoterapeutas, não orientamos como cuidar e educar seu filho, as intervenções se dão através da psicodinâmica observada/trabalhada e das mudanças de personalidade e do comportamento que ocorrem no decorrer do processo, onde tem sessões só com os pais, outras em família e a maioria delas só com a criança.

Nosso trabalho é tratar de sintomas, exemplo: encoprese (falta de controle das fezes) , enurese (falta do controle de urina) , vômitos, bulimia, birras, problemas de aprendizagem, entre diversos outros, e ajudá-los a compreender a psicodinâmica de seu filho(a), além de promover o desenvolvimento saudável da identidade preparando-o para encarar de maneira saudável futuros conflitos que fazem parte da vida de todos.

A criança estando com desenvolvimento satisfatório e sem queixa por parte dos pais esta em critério de alta, ou seja, a criança tendo seus recursos internos tratados saberá lidar com suas próprias questões internas e da vida familiar e social também.

 

Psicoterapia para Adolescentes

Requer sessões específicas com a família e o adolescente no consultório, além das sessões convencionais de um processo terapêutico com encontros semanais do terapeuta e seu cliente apenas.

Como escreveu a Psicóloga Regina Bene: … “Um pé na infância e outro na idade adulta… Assim se dá a adolescência”… Além das crises decorrentes de transformações que são marcadas por profundas e importantes modificações na identidade que iniciam por volta dos 11 anos de idade e se perduram muitas vezes até mais ou menos 27 anos.

Crises estas que se estendem ao grupo familiar e social, onde os principais envolvidos “adolescem”…

Numa primeira etapa não se comportam mais como criança, mas não tem maturidade de adulto, assim o jovem questiona tudo e todos do seu meio com críticas e pouca capacidade psicológica para elaborar frustrações, além de sua estrutura psíquica instável o que o faz agir na maior parte do tempo na oposição.

È um período marcado por verdadeiras metamorfoses bio-psico-sociais e por diversos binômios como: dependência X independência, segurança X insegurança entre muitos outros característicos da fase que quando não compreendidos podem gerar uma ruptura no diálogo familiar e conseqüências até mais graves como drogadição e etc…

A inexperiência e falta de maturidade do adolescente não permite que ele avalie corretamente os riscos embutidos em diversas situações que fazem parte da vida tais como envolvimentos amorosos, muitas questões ligadas a sexualidade, escolha profissional e etc… Isto gera muita ansiedade e angústia no jovem e principalmente para sua família.

O tratamento se dará de acordo com a(s) angústia(s) do adolescente, então fará parte do processo de psicoterapia e conduta do psicoterapeuta:

  • orientação e explicação, pois há muitas informações e esclarecimentos que acercam esta fase da vida..
  • pensar junto com o adolescente o que ele quer pra ele e juntos avaliar as probabilidades e viabilizações de seus planos que nem sempre estão condizentes com outras questões de sua vida.
  • tratamento dos conflitos intrapsíquicos com técnicas e procedimentos da análise psicodramática.

Em se tratando da angústia patológica aparecerá com maior ou menor intensidade e estará atrelada com o desenvolvimento psíquico deste adolescente desde sua infância, neste caso podem ocorrer quadros de fobias, obsessividade, psicopatias, somatizações, compulsões e etc.