Ciúmes apimenta ou estraga relações?!

ciume

 

Tema frequente num processo de psicoterapia é o ciúme, já que é um sentimento que faz parte das relações…

Costuma aparecer junto ao medo de que a pessoa amada se apegue a outra pessoa ou mesmo tenha outro foco, como trabalho, um objeto ou um animal.

Mas e quando sentir ciúme atrapalha amizades e relacionamentos amorosos e até mesmo familiares?

Para sentir ciúme basta estar num formato triangular de se relacionar… Exemplos clássicos: filho, pai e mãe; primo Beltrano, avô (ó) e primo Ciclano; namorada, namorado e pessoa X (pessoa especial ou atraente para o (a) parceiro (a); amiga A, amiga B e amiga C e etc.

Há pessoas com dificuldades de se relacionar amigavelmente com mais de duas pessoas ao mesmo tempo em determinadas situações. Ou melhor, só conseguem ficar bem com atenção direcionada ou exclusiva para ela. Situações onde são obrigadas a dividir atenção ou afeto recebido, estando em três ou mais pessoas, tornam-se muito desconfortáveis e até evitadas. Isso é comum nas relações familiares e principalmente nos relacionamentos amorosos. 

Dividiremos o assunto como ciúme “normal”, ligado à sensação ou constatação de ter sido preterido e ciúme “doentio”, ligado à fantasia de que pode ser traído ou desprezado a qualquer momento.

Ciúme “normal” acontece frente a uma situação real de ameaça do amor do outro. Muitos exemplos cabem aqui, como o surgimento de novos amigos, nascimento de irmãos, dedicação do parceiro a um novo projeto, etc… E é real você ficou de lado, então natural sentir ciúme. Essa nova situação pode ser administrada, sendo que geralmente é preciso um tempo para adaptação e esta nova situação deve ser discutida com os envolvidos. 

Ciúme “doentio” geralmente está baseado em uma falsa noção de realidade ou desconfiança infundada de estar sendo deixado de lado. Uma reação desproporcional e angustiante frente à confrontação de uma terceira pessoa, supostamente mais interessante para o outro.  A pessoa que sente este tipo de ciúme fica com a sensação de que pode acontecer a qualquer momento uma traição. Torna-se difícil confiar e relaxar, pois surge a expectativa de que alguma ameaça atinja a relação e comumente um comportamento infantil está atrelado ao ciumento, o que piora muito a situação. Na cabeça de um ciumento, a pessoa amada não resistirá à suposta tentação, então pode-se tornar possessivo e controlador, tentando “vigiar” o outro e diminuir o que considera oportunidades para que ocorram interferências no relacionamento.
Neste caso, sem dúvida, nada melhor do que se tratar! Situando-se na realidade e principalmente reeditando suas relações de base, desde a fase de sociabilização, o que em um processo de psicoterapia é mais fácil conseguir, devido à sustentação interna promovida referente aos mais profundos medos que fazem parte da psique.

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